O vazio me preenche por completo
e eu me perdi nas coisas encontradas
do relógio que desperto
as horas passadas a fio
joguei no vaso meus apelos
tomei água dos desertos
que nada mais fazem do que molhar
o que de tão molhado secou
são apenas vacuos na matéria
infinitos modos de abrir os olhos
nada de veia, artéria, sangue, carne
o impensável inconsciente sonhador
que não acorda de manhã
ele acorda quando morre
todos fazemos isso
com o som do prazer a esquerda
e o cantar do medo na mão
Acordei…na hora errada.
[Zoé Coin]
Desta vez o perdão não sairá
deslanchado de meus lábios
e não haverá explicação
de modo algum
que esclareça os fatos
o carnal falará em um tom
muito mais estridente
com tamanha clareza
incapaz de não se notar
onde quer que esteja meus olhos
será como um simples impulso
que lacra meus pensamentos
cortando contato com o mundo
maldita voz que me grita
e desconcentrada joga tudo assim
facil, mais facil, que qualquer coisa
desta vez me segurarei
para a verdade jorrar em mim
um manto independente do entorno
com talvez sucesso
talvez rebeldia
mas com arrependimentos anulados
desta vez não será pecado.
[Zoé Coin]




